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A mãe que eu quero ser

domingo, 19 de junho de 2016

Desde que fui mãe, a minha principal preocupação tem sido educar o meu filho para que ele venha a se tornar um homem de caráter. Sendo ele a minha principal prioridade, tudo o que faço ou penso é sempre tendo em conta como as minhas decisões o vão afetar, a curto, médio e longo prazo.
Eu acho que tenho me saído bem.
culpas à parte (quem é mãe vai se identificar), sei que sou a melhor mãe que o meu filho pode ter. Mas sempre tem coisas que podem evoluir. E eu não quero ser apenas uma boa mãe, eu quero ser uma excelente mãe. Só preciso aprender a tentar alcançar o que quero ser para o meu filho, sem me cobrar demais. Afinal, ninguém merece uma mãe louca, não é verdade?

Quero ser uma mãe saudável
Quem me conhece sabe que sempre me alimentei bem (fui vegetariana por seis anos) e pratiquei atividade física. Desde que o Antonio nasceu, descurei um pouco desse lado. De vez em quando até animo de malhar (em casa mesmo, academia está custando caro, tipo, um quilo de feijão), mas a alimentação é péssima. Tenho legumes e fruta na geladeira, mas é tudo para o Antonio. Preciso correr atrás disso, voltar a ter o corpo e a saúde de antes da gravidez para poder ter sempre ânimo para brincar com o meu garoto.

Quero ser uma mãe independente
Nunca dependi do dinheiro de ninguém desde que virei adulta, mas a crise chegou para todos, inclusive para mim. Meu desejo é ser independente na criação do meu filho, não depender de ajudas de terceiros para comprar as coisas para ele e pagar a conta. Isso inclui ter a minha casinha, no meu nome, que é meu maior desejo a médio e longo prazo.

Quero ser uma mãe de fé
Dizem que criamos nossos filhos para o mundo, mas eu crio o meu filho para o Senhor. Quero ter uma intimidade tão grande com Deus para que Ele me dê dicas do que fazer na educação dele. O mundo está tão louco que dá medo de criar nossos filhos sem a presença do nosso Pai espiritual. 

Quero ser uma mãe amiga
Quero que meu filho me veja como amiga com quem possa contar para tudo, mas sem perder a noção de que sou mãe também, e que ele me deve obedecer. Tem muitas mães que querem tanto ser amigas dos filhos que não os sabem educar, não os corrigem quando fazem coisas erradas e ainda encobertam os seus "pecados". Quero que o Antonio saiba que pode contar comigo para tudo, mas que se fizer coisa errada, eu serei a primeira pessoa a corrigir. Sem dó.

Quero criar um filho que se transforme em um homem de verdade
Aqui não vai ter essa de ter vida mansa porque é homem. Vai lavar louça, sim, vai arrumar o seu próprio quarto, sim, vai fazer serviço de casa, sim. Quero conseguir educar um homem de caráter, que saiba principalmente como tratar uma mulher, não irei aceitar filho que mexe com mulher na rua ou que é cafajeste com a namorada/esposa.

Quero ser uma mãe exemplo
Essa é bem ampla, eu sei. Mas quero que meu filho me veja como um exemplo a seguir em honestidade, esforço, trabalho, relacionamento, estudo, e, sobretudo, espiritual. Esse é o grande desafio de uma mãe, ser exemplo para o filho pelo que ela faz, e não pelo que ela diz. Quero que ele tenha orgulho de mim, e não que me tenha como exemplo do que não ser ou fazer.


Volto a dizer que sei que sou exatamente o tipo de mãe que ele precisa, mas ainda não sou aquilo que EU preciso ser. Porque não dá para brincar nisso de educar um"serhumaninho", se você não fizer o seu trabalho direito, a vida vai corrigir seus erros da pior forma.


Como reagir aos pitacos pós maternidade

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Eu não sei o que acontece com as pessoas que assim que sabem que alguém está grávida, começam com uma série de recomendações, conselhos, críticas sobre o modo como aquela mãe pretende viver ou efetivamente vive a maternidade.
É um exercício de autocontrole muito grande ouvir esse tipo de coisas, muitas delas bizarras e do tempo do Guaraná com rolha, e não falar nada para não perder a amizade. Até porque, na maioria dos casos, a pessoa só quer ajudar.

É aí que entra ela, a famosa cara de alface.



Cara de alface é a cara de paisagem que toda mãe faz desde que viu o positivo do teste de farmácia até o filho completar 18 anos. É a cara de nada, do sorriso tímido e silencioso que já diz tudo: "Do meu filho cuido eu". 

Fazer cara de alface requer treino e persistência. Não é à primeira recomendação que se consegue a proeza de fazer a cara de alface perfeita. O bom é que temos quase 19 anos para treinar.

O que as pessoas precisam saber sobre a licença-maternidade

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Já passou quase um ano desde que voltei a trabalhar, mas o tempo em que fiquei de licença-maternidade foi tão intenso que lembro até hoje.
Por isso, decidi compartilhar algumas coisas que acho que é necessário que todos saibam sobre licença-maternidade.

Licença-maternidade não são férias.
"Ah, quatro meses só descansando, né?". Amigos, não. Licença-maternidade é tudo menos descanso. É ficar noites sem dormir, dar de mamar a toda hora, cuidar do bebê e, de quebra, ainda dar um jeito na casa para que não pareça que passou um furacão.

Ficar o dia inteiro sem conversar com um adulto pode levar a mãe à loucura
Quando o pai trabalha o dia inteiro, a mãe acaba ficando muito sozinha. Parentes podem ir para visitar, mas eles mesmos acabam por não querer incomodar e não vão tanto. Então, a mãe fica o dia inteiro, durante quatro meses, sem falar com adulto. Lembro que o momento alto do meu dia era quando colocava o Antonio no sling e ia ao supermercado. Era quando conversava um pouco com a moça do caixa e isso me alegrava por uns breves instantes.



Carta para o meu filho no seu aniversário

sábado, 8 de agosto de 2015

No dia em que te trouxe do hospital, senti medo."Meu, esses médicos loucos me deixaram sair sozinha com um bebê!" era o que passava na minha mente. Você era tão bonzinho que nem cólicas tinha, nem chorava. Ah, como te amei desde o primeiro momento.
Mas algo no meu coração me dizia, "Prepara-te, vais precisar ser muito forte". Eu sabia que era Deus falando comigo. Mas não entendia onde Ele queria chegar:será que ias ter ter alguma doença?
Comecei a pirar, a surtar, ficava horas pesquisando na Internet sobre doenças ligadas à neurofibromatose. Enquanto isso, meu amado filho, você dormia como um anjo,e eu sofria sozinha.
Até que um dia, percebi o que Deus queria dizer. Ele quis me preparar para o que eu ia viver. Para eu arregaçar as mangas e ser pai e mãe na maior parte do tempo, ser responsável por tudo o que dizia respeito a ti. E de repente, éramos só nós.
A nossa família se tornou eu e você, meu filho. Casa nova, carro novo, vida nova. Tudo novo para nós. Era assim que eu queria? Não. É isso que Deus tem para mim? Jamais. Mas é o meu deserto, filho, onde infelizmente te carrego, mas onde Deus nos dá a mão e onde Ele não permite que você sinta nada destas confusões de adultos.





Me perdoa todas as lágrimas. Me perdoa todos os meus erros. Me perdoa das vezes que me distraí e você caiu da cama. Me perdoa por nem sempre chegar a tempo de te colocar para dormir. Me perdoa quando no início não sabia fazer papinha gostosa.
Mas nunca te abandonarei. Deus me deu a missão de ser sua mãe, de cuidar de você, de te levar para a igreja, de colocar o joelho no meu chão e clamar a Deus pela sua felicidade e bem-estar.
No dia do teu aniversário, eu estou de parabéns também. Porque aniversário de filho é também aniversário de mãe. Tenho orgulho de ser sua mãe e espero que um dia você tenha orgulho de ser meu filho. Porque você nasceu de mim, mas foi você, meu querido bebê, que me deu a vida, por você resisti e com você descobri o verdadeiro sentido do amor incondicional. Enquanto tudo lá fora desmoronava, Deus estava conosco aqui no nosso lar para nos proteger.
Eu te prometo mover o mundo para te ver bem. E estou disposta a abdicar do que eu quero se isso não for bom para ti, meu menino.

Pé pós maternidade

sábado, 1 de agosto de 2015

Tem várias coisas que acontecem na maternidade que as pessoas não contam. Parece que vivemos em um clube  secreto de mães que por alguma razão escondem importantes aspectos de ter um filho.
Um deles é sobre pés.
Não, não estou me referindo ao inchaço. Estou falando de algo quase sobrenatural: os pés crescem na gravidez. E muitas vezes não voltam ao normal depois do parto.
Sabem o que isso significa? Vários sapatos se tornam inutilizáveis. Ficam apertados. Machucam o dedão. E o que fazer com a coleção de sapatos conquistada durante anos, que agora não servem mais na 'pata'? Sim, tem de doá-los todos.
Eu acho que isso deveria ser muito bem esclarecido às gestantes. Eu descobri no último trimestre da gravidez, quando os meus pés pareciam um pão de leite de tão inchados e li que os pés poderiam nunca  mais voltar a ser os mesmos.
Poxa, podia ter tirado o joanete também né?

35 coisas que eu quero que você aprenda, meu amado filho

terça-feira, 21 de julho de 2015

Agora você tem quase um ano, meu filho. Então, nada mais justo do que eu pensar cada vez mais em como posso te ensinar a ser uma criança feliz e, no futuro, um homem melhor. Você está preparado?

1. Não se deixe levar pelas novas tecnologias. O melhor tempo das nossas vidas é quando podemos brincar na rua.
2. Sempre diga por favor e obrigada às pessoas. E sempre cumprimente, qualquer pessoa.
3. Sorria sempre. Isso desarma qualquer um.
4. Nunca deixe de abraçar e dar um beijo aos seus pais.
5. Aproveite os seus avós o máximo que você puder.
6. Não diga palavrões.
7. Seja firme nas suas convicções, mas nunca, NUNCA se ache no direito de julgar alguém por qualquer que seja a sua escolha.
8. Não tenha medo de ajudar quem mais precisa, seja um cão abandonado ou um morador de rua, até o passarinho que está com a asa quebrada.
9. Pense sempre o melhor dos outros, nunca o pior.
10. Ore com os seus pais antes de dormir todas as noites.
11. Agradeça a Deus pela sua vida todas as manhãs.
12. Não tenha vergonha da sua fé, tenha orgulho.
13. Mostre sua fé pelo exemplo.
14. Nunca minta, mesmo que isso acarrete consequências.
15. Trate a sua namorada e futura esposa como você gostaria que a sua mãe fosse tratada.

Preparar-se para ser mãe

domingo, 12 de julho de 2015

Quando decidi engravidar, pensei realmente que estava preparada. Casamento estava bem, tinha casa própria, bom emprego. "Por que não?", pensava. Procurei um médico, fiz exames e estava tudo ok para engravidar. Em menos de três meses veio o positivo. Eu me sentia tão feliz, não tinha nem um pouco de medo de ser mãe, e achava que ia ser fácil, que os dois íamos cuidar, que logo ia voltar para a academia, que íamos viajar juntos...
Só que não.
Quando o Antonio nasceu, eu fiquei apavorada. Tentava não transparecer, mas fui invadida por um medo terrível de ficar sozinha e falhar como mãe.
Claro que o plano perfeito que tinha desenhado na minha cabeça foi por água abaixo. Veio uma onda e derrubou tudo aquilo que eu acreditava e mesmo assim eu precisei me erguer porque tinha um ser ali que dependia totalmente de mim.
Hoje, 11 meses se passaram e vejo as coisas com mais clareza. E finalmente posso falar: você nunca vai estar totalmente preparada para ser mãe. Por mais que você planeje, tudo pode dar errado. Durante muitos meses me vitimizei, de ver minha família dilacerada, de cuidar do meu filho praticamente sozinha (nunca é a mesma coisa que seria com os pais juntos), de não ter mais tempo de cuidar de mim. Tem dias que o desespero bate mesmo.
Mas com a graça do bom Jesus (único merecedor de todo nosso amor), as coisas acabam por se ajeitar. Sei que é Ele que me fortalece e que me rodeia de verdadeiros anjos. E logo as coisas vão ficando melhores, você consegue aquela hora por dia para malhar, faz as unhas depois que o bebê dorme e passa um reboco na cara para esconder as olheiras.
Tenho a sorte de ter um filho lindo, saudável, esperto e muito amado por mim, pelo pai dele, pelos avós e tios. Mas se eu voltasse lá atrás, naquele outubro de 2013, e me falassem que ia acontecer tudo isto, provavelmente eu diria: "Ah, você tá de brincation".
Tem vezes neste mundão de Deus que o Pai permite que você quebre a cara porque Ele vai te reerguer mais forte do que nunca.
E a minha hora está chegando.

O dia em que o meu filho começou a crescer

domingo, 28 de junho de 2015

Nunca tive problemas na amamentação. Antonio pegou bem no bico desde que nasceu e eu nunca senti dor, nem tive aqueles problemas terríveis de peito rachado.
Durante quase quatro meses, ele se alimentou exclusivamente de mim, do leite que o meu corpo produzia. 
Por amamentá-lo em livre demanda, quando voltei a trabalhar foi uma tormenta, porque o meu peito enchia muito e eu precisava ir ao banheiro fazer a "ordenha". Mas nem sempre aliviava, continuava cheio, doía imenso e um dia até desmaiei de dor.
Aos poucos o corpo foi se acostumando a essa rotina. Mas uma coisa era certa: assim que eu chegava do trabalho, precisava amamentá-lo imediatamente. Ele pedia. E eu amava isso. Era o nosso momento. 


Desabafos de uma mãe frustrada

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Da série "sinto-me uma péssima mãe".
Agora que o Antonio tem quase um ano, finalmente decidi que é hora dele começar a dormir sozinho no berço dele.
Meu Deus, como é difícil. Exige muita paciência e persistência. Porque acreditem, um bebê, quando quer e quando está perante uma mãe cansada e com fome, consegue tudo.
O Antonio é bem agarrado a mim. E desde que mudamos, ele só adormece no meu colo e dorme na minha cama. Eu confesso que adoro dormir de mão dada com ele, mas entendo que meu papel como mãe é ajudá-lo a se desprender e a ser mais independente.
Ontem foi o primeiro dia de tentativa. Ele capotava nos meus braços, mas era só colocá-lo no berço que despertava. E começava tudo de novo: volta para o colo até dormir e berço. Acordava. Colo e berço. Acordava. Devo ter feito isso umas 10 vezes. Já era meia-noite e eu nem tinha comido ou tomado banho. Entrei em desespero. "Meu filho consegue tudo o que quer, não tenho forças para isto". O rímel escorria pelo rosto à medida que eu me desesperava. Ele me via chorar e chorava mais ainda. " Ah, meu Deus, me ajuda".
Aí lembrei das vezes que a minha irmã me xingava porque eu dizia que ele só dormia no colo. "Vais-te arrepender". Ah, como ela estava certa. Como eu queria voltar lá atrás, quando ele tinha poucos meses.
Nos livros de maternidade, ninguém fala como a falta de sono e de descanso pode te levar à loucura. Temo que haveria até uma diminuição drástica das taxas de natalidade se alguém tivesse a audácia de contar que às vezes você, mãe, vai dormir vencida pelo seu filho, sem comer, sem tomar banho e sem escovar os dentes. E que você vai dormir chorando de culpa achando que está falhando no seu papel como educadora.
Saga para ensinar Antonio a dormir sozinho: 1-0 para ele.

Porque eu acho que mãe tem de trabalhar fora

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Quando o Antonio nasceu, nunca me passou pela cabeça parar de trabalhar fora. Primeiro porque a situação financeira não me permite, segundo porque não me vejo sendo apenas mãe e dona de casa. Sinceramente não é para mim
Os quatro meses da licença-maternidade foram os mais longos da minha vida. Sério, eu achei que ia pirar - e pirei um pouco. Porque eu ficava o dia inteiro sozinha com o bebê. E não, não era moleza. Ele acordava muito de noite e de dia, quando ele dormia, eu ia fazer as coisas da casa. Nesses quatro meses,o momento alto do meu dia era ir ao supermercado e falar com pessoas adultas.
E isso era demasiado deprimente para mim. Então eu não via a hora de voltar a trabalhar. E hoje eu estou bem assim. Claro que estou sempre cansada, afinal, "trabalho" em três turnos. Mas isso me faz um bem que vocês não imaginam. Eu preciso me sentir útil.
Tenho também a sorte de ter uma sogra maravilhosa que cuida do meu filho com muito amor. E correndo o risco de ser clichê, mãe feliz igual a filho feliz. O Toni está crescendo muito bem e não creio que ele cresceria melhor se eu estivesse cuidando dele 24h por dia. Claro que rola o sentimento de culpa (mães, quem nunca?) todas as manhãs ao sair de casa, mas a recompensa vem horas depois, quando volto e ele me recebe sorrindo.
Tem mãe que gosta e quer parar de trabalhar para cuidar dos filhos. Ok! Tem também muitas que não têm escolha, porque não têm com quem deixar o bebê. Mas creio que há muitas como eu, que veem na maternidade um complemento da sua existência como mulher e sobretudo profissional. Porque afinal, os filhos eventualmente crescem. E eu não sei vocês, mas eu não quero ver meu filho indo para a escola e eu descobrir que não sei mais viver entre adultos porque lá atrás decidi abdicar de tudo pelo meu filho.
 
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