E agora?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Eles brigavam. E brigavam. E brigavam. Aí ele terminava com ela em uma conversa no MSN. Mas logo voltavam. Paz e amor? Uns cinco minutos. Quando dois intempestivos se juntam, não se pode esperar muita tranquilidade. E ela gostava de não deixar nada barato. Pobrezinha, do alto dos seus 20 aninhos ainda achava que a velha máxima de "não levar desaforo para casa" ainda dava certo. Coitada, não sabia nada da vida (aqui entre nós, ainda não sabe muito não).
Ela não contava a ninguém, mas ela gostava daquele cara de voz marcante e covinhas quando sorria. No dia em que a levou ao teatro, ela, que sempre escondia o seu lado mais sensível, chorou durante um monólogo qualquer sobre amor. Tentou que ele não visse, mas ele viu. A quem ela queria enganar? Era ele, e ele a conhecia. 
Eles não ficaram juntos. Não ficaram por muito tempo. Uma década sem sequer um "oi". "Ele deve me odiar", pensava ela. "Será que ela está bem?", se questionava ele, sem conseguir esquecer aquele "Me apaixonei por outro, desculpa", que pôs fim à história dos dois.

Pelos textões, eu voto sim!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Gosto de textão, ou não fosse eu de Humanas. Gosto de escrever - e demonstrar - o que penso e sinto. Embalada por uma sofrência qualquer e lendo textões por aí, eu vou lá e falo - ou escrevo.
Quase sempre me arrependo. É que, sem querer, acabo sendo contagiada por essa velha mania de que não se pode demonstrar sentimento. Eu até tento - juro! - mas isso aí não é para mim. Eu gosto mesmo é de falar o que sinto e quase sempre fazer papel de trouxa. É, faz parte, dizem.




É por isso que gosto quando encontro alguém assim como eu, que não tem medo de textão, não faz média, não tem reservas. É aquele tipo de gente que manda mensagem dizendo "Ei, quero te ver, quando vamos nos encontrar?". Que te pega pela mão, te leva para escutar uma boa música e te paga uma cerveja. Que espera você terminar o cigarro e já enche o copo de novo. Que quer saber mais sobre você.
Numa época em que o chique é ser desapegado, quem se fode é quem vai contra a maré e decide que vai falar, sim. Mesmo que depois venha a vontade de bater a cabeça na parede e que venha logo a torcida pela atualização no Whatsapp que permitirá apagar mensagens já enviadas. É que por mais que você não fale, não tem como negar o que está escrito na sua cara desde a primeira porção de batata frita com bacon e cheddar. 
É que a culpa não é minha. É da Marília, do Jorge, do Henrique, que fazem brotar as palavras que você nem sabia que tinha que botar para fora. É culpa também do Fred e da Natália, que me mostram que, sim, mostrar sentimento é bom, mesmo que a cabeça já esteja doendo de tanto que você a bateu na parede, tal foi o arrependimento que bateu depois do textão que teve apenas um emoji como resposta. Eu entendo, nem todo mundo está acostumado a uma enxurrada de verbos, assim do nada. Desculpe, é que é mais forte do que eu.

Há vida depois do fim

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Gosto de gente bem resolvida. Gente que sabe exatamente o que quer, que não faz média, que não tem medo de lutar pelo que acredita nem de quebrar a cara. Gente que, quando sente, sente de verdade, mesmo que, dentro do peito, o amor se vá, aos poucos, misturando com a dor dilacerante do engano, da decepção infringida sem dó nem piedade. Gosto de gente assim, que sabe que no coração não tem lugar para meio-termo nem para remendos com band-aid.
Mas, sobretudo, gosto daquele tipo de gente que sabe desistir. Que conquistou, sem se dar conta, uma força interior capaz de matar o cupim da alma e que um dia acordou decidida a viver. Aí essas pessoas vão lá e vivem, de coração novo e cabeça em ordem. Para trás, fica o sentimento de dever cumprido, a certeza de que se fez tudo e aquela paz interior que sussurra que tudo vai ficar bem.
E geralmente tudo fica bem. Afinal, a vida segue, o sol nasce todas as manhãs, pessoas diferentes cruzam o seu caminho todos os dias. E se, antes, você não tirava a venda e só queria enxergar aquilo que você bem entendia - ah!, a velha mania que temos de nos auto-sabotar... -, você começa a ver coisas que você nunca tinha visto, a sentir a sinergia dos outros, a sorrir com vontade.





Depois do fim há um começo. Não, não é um recomeço, é tudo novo mesmo. É quando você decide que não quer falsas intenções ao seu redor, que está de saco cheio de relações sem fé, que a sua vida anda para a frente. E o bom é que, depois daquela sacudida que a vida nos dá, você aprende a dizer "basta" e a deixar o seu coração no lugarzinho dele, bem dentro do seu peito e não na mão de um crápula qualquer. Um dia você pode até querer dividi-lo para outro alguém, mas com a plena convicção de que você é o dono da sua vida e da sua cabeça. Se um dia aparecer alguém digno o suficiente para tocar no seu coração, divida-o com ele, mas sempre com a certeza de que você é o dono do seu próprio destino e você escolhe quem tem cacife suficiente.
Podem vir os momentos de solidão, em que você queria um peito para descansar a cabeça em uma chuvosa tarde de domingo. Mas para quem sobrevive a um fim, esse será um mero detalhe de uma vida comandada por você. Um dia triste, no outro sorrindo, dançando ao som de um rock dos anos 90, sentindo novos sabores, trocando energias, conhecendo gente nova, pessoas que te mostram que a vida, sim, ela segue. E segue muito bem, obrigada.

Fala que quer ficar

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Você quer ficar, e nós sabemos que, provavelmente, ficará mais um pouco, mas não quer falar que quer ficar. Afinal, isso de mostrar sentimentos é "coisa de gay", como dizem por aí. Hoje a moda é ser durão, frio, fazer o famoso cu doce. Ah, se as pessoas tivessem noção das oportunidades que perdem por deixar de ligar quando sentem vontade, por não fazer aquele carinho quando ela está dormindo e você quer afastar aquela mecha de cabelo, mas teme ser demasiado sentimental. Mostrar sentimento virou coisa do passado.
Você não precisa enviar flores ou contratar aqueles carros de som para lhe mostrar que, sim, você gosta dela (por favor, não envie o carro de som. Mesmo). Mas não se esconda, não finja que não é nada ou que você não conta os dias para a ver de novo, aí na sua casa, com a perna em cima da cadeira, dividindo uma cerveja gelada com você enquanto insiste em te convencer que "More than words" é a melhor música de todos os tempos. 



E, believe me, ela te entende. Ela tem se esforçado em aprender qual é o seu timing e tem respeitado isso, assim como você respeita e entende essa vida louca que a obriga a marcar com antecedência na agenda para te ver. E você nunca reclama disso, o que só faz com que ela se encante mais por você.
Não é que você a afaste, até porque você adora quando ela chega e decide que quer preparar algo para vocês comerem. Você a olha e pensa: "Porra, era capaz de me acostumar a isso". 
Mas quando ela te pergunta o que você quer dela, você não sabe responder e desconversa. Quer dizer, você até sabe responder, mas decide começar com aquele "Bom, veja bem..." que a brocha e ela promete nunca mais te perguntar nada. Só que esse "nunca mais dela" é só até a próxima Skol, e você vai seguir negando o que o seu corpo já fala há meses: que você quer, sim, ficar.

E ele a encontrou

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Ele não tinha muita sorte no amor. Era daquele tipo de cara que já tinha desistido. Mas não completamente. Lá no fundo, ele sabia que queria aquele relacionamento que faz bem. Ele queria que alguém estivesse do seu lado por aquilo que ele é. Mesmo que ele se achasse meio chato, difícil e com cara de bravo.
Então, ele a encontrou. E mal sabia que ela também procurava o mesmo que ele: alguém com quem ela não precisasse fazer média. Que a aceitasse.
Gostou dela sem antes a ver pessoalmente. E quando isso aconteceu, parecia que já se conheciam. E desde então, ela tem feito parte dos seus dias.
O tempo foi passando e ele foi tendo a sensação que aquilo ali poderia ser diferente. E nem a conhecia direito. Ainda não a conhece. Não sabe o segundo nome dela. Não sabe onde ela mora nem onde trabalha. Nem imagina que aquele cabelo não é realmente daquela cor. 
Mas ele já sabe que a banda de rock favorita dela é Guns´n´Roses. E que ela gosta de cantar música sertaneja enquanto dirige. Já percebeu que ela não fica sem café, e, por isso, a leva para tomar expresso naquele lugar chique, mesmo que ela insista em dizer que um cafézinho preto na padoca já está bom demais. Mas ele gosta de a ver em lugares bonitos, sentar para conversar com ela. 
E como ele gosta disso! Ela fala de tudo, de política, futebol e corrida. E, o melhor de tudo, gosta das mesmas coisas que ele. Até percebe que ela está louca por um cigarro - ele conhece já os momentos em que o vício fala mais alto -, mas ela não se importa de ficar ali só mais um pouco, conversando de tudo e sem ficar constrangida com os momentos de silêncio. Aí ela lança aquele sorriso que o desarma facilmente.




Ele gosta como ela é companheira, seja bebendo seis Originais ou planejando correr juntos. Ainda não foram, mas ele sabe que irão. E mesmo ele correndo bem mais do que ela, já decidiu que vai diminuir o ritmo e correr ali do seu lado. Porque é assim que ele quer ficar.
E no dia em que estava chovendo e ela nem ligou e andou de mão dada com ele na rua sem se importar com o cabelo, a olhou de forma diferente. Porra, essa mina é diferente. Tem aquele jeito de menina, bebe igual homem, quando vê uma mulher bonita na rua e que sabe que ele está olhando, fala: "Gostou dela, né, seu safado?", e cai na risada. Cara, ela é louca.

Ele a conhece há pouco tempo. Não sabe o que é tudo isto. E, na verdade, ele não quer dar nomes a uma coisa que não pode ser definida. E, apesar das tentativas dela de ter uma DR quando abusa na cerveja, ele também sabe que para ela está bom assim. Porque ela sabe exatamente o que quer - e ela já provou que, agora, ela só quer estar do lado dele, onde pode ser ela mesma. E é assim que ele gosta.

Você precisa entender

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Ela precisa que você entenda uma coisa: ela não é uma pessoa normal. Ela pode ser chata, engraçada, divertida, carinhosa, mas normal, definitivamente, não é. É que esta vida não é fácil e a deixou com algumas cicatrizes. Algumas não, muitas. De algumas ela nem lembra mais, a não ser que passe a mão nela e sinta o relevo das suas marcas. Outras são mais profundas, foram feitas cirurgicamente para tirar o que já não lhe pertencia mais - e que, na verdade, nunca pertenceu. E ainda doem, às vezes, desculpa-a por isso.
Ela quer que você saiba que também quer te encontrar. Não tem qualquer intenção de se esconder de você. Pelo menos não agora, quando seu jeito nem a afeta tanto assim ao ponto dela tirar o pé do chão e voar alucinadamente. Hoje ela sente, mas pensa ainda mais.
Ela sabe que nem sempre te vai dar o que você precisa receber. Que pode ser difícil para você lidar com o fato de que partes do seu passado serão sempre o seu presente. Que ela tem aquele seu jeitinho bem peculiar típico de quem gostou desse negócio de ser livre e não está disposta a perder isso. Nem por você.



Mas ela gostou de você. Você veio para mostrar que a liberdade pode ter um gosto especial se for temperada com aquele quê de loucura que você tem - e ela também. 
Então, ela gostaria que você entendesse que não se quer prender a você, mas quer se permitir ser ainda mais livre ao seu lado. Sem tantas regras, mas com aqueles momentos só vossos, que mais ninguém vê ou sabe, e que fazem com que congelem o tempo em meio a um café expresso e um cigarro. 
Você já conhece as suas manias. Já sabe que ela não funciona sem café e, que, mesmo jurando toda vez que não vai mais acompanhar nada do São Paulo, ela sempre vai te perguntar se você está assistindo o jogo e querer falar sobre a péssima fase do time. E, a cada conversa, ela vai lembrar das vezes que foi no estádio e vai te contar alguma história engraçada que viveu no Morumbi.
Todas as segundas-feiras ela vai te falar que vai começar um regime, mas não vai resistir ao brigadeiro depois do almoço. By the way, quer se dar bem? Alimenta essa mulher. É tiro certeiro. Boa comida é a isca perfeita para o coração dela. 

Não tem jeito, ela assim mesmo, é bom você se acostumar. Ela não desiste facilmente, nem do time de coração, nem tampouco de ser feliz. É que por muito tempo ela não sorriu, ela era triste. E agora que ela está leve de novo, que ela descobriu que é empoderada, ela não vai querer perder um segundo da vida dela pensando em algo que poderia ter feito. Ela vai lá e faz. E, olha, ela está querendo fazer com você. E aí, você topa?

Por pessoas que te lembrem quem você é... sem elas

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Moça, você é muito além daquilo que você imagina ou do que dizem ser. Talvez você esteja acostumada à mediocridade, ao meia-boca, ao morno. Quem sabe você se anulou tanto pelos outros que, quando eles foram embora, você não sabia quem você era além daquilo que você se tornou. E, de repente, eles já não estão mais lá e você não sabe mais quem é aquela que está ali no espelho, te encarando. O que quer? Do que precisa? O que a faz feliz?

E de repente, para de doer. As lágrimas secam. E você decide voltar a viver, a tomar o controle da sua própria vida. E, principalmente, você decide que não quer nunca mais depender de ninguém para ser feliz. Você deveria se bastar. 

Mas aí a vida, essa malandrinha, manda aquelas pessoas que, mesmo sem saberem, te ajudam nesse percurso. Elas chegam sem avisar, sem pedir nada em troca, sem favores e sem exigências. Elas chegam apenas para te lembrar como você é foda e como você pode ser incrivelmente feliz sem precisar de ninguém. Inclusive sem precisar delas.
E, mesmo sabendo que você não precisa, necessariamente, da presença delas, você as deixa entrar. E, sem querer, elas te dão aquele empurrão que você precisava para você ser livre. Sem regras, sem dogmas, sem exigências sociais te ditando como agir. E você pode ser você mesma.



É quando você descobre que, mesmo que elas vão embora, você continuará feliz. Essas pessoas surgem do nada não para acrescentar, porque você já é inteira. Elas vêm somar. Te mostrar que a vida é muito além do que você viveu, que ainda tem muito chão pela frente. E elas te fazem isso de mão dada com você em uma rua tranquila de uma cidade interiorana num domingo nublado. Num programa badalado ou num colchão na sala num sábado à noite assistindo Top Gun. Numa conversa de horas ou numa troca de olhares embalada naquele silêncio que é tudo menos constrangedor. Porque às vezes não precisa falar. 

A vida tira pessoas para colocar outras no lugar. E, geralmente, nessa troca, você ganha mais do que perde. Muito mais. Como quem não quer nada, elas te mostram que, se estão ali, não é pelo que você pode fazer por elas, mas porque elas sabem que, independentemente de elas estarem ali ou não, você continuará sendo você. Elas só querem te mostrar que você é bem melhor do que alguma vez imaginou.
 
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